quarta-feira, 21 de abril de 2010

Prévias!!!


Her face is a map of the world, is a map of the world
You can see she's a beautiful girl, she's a beautiful girl
And everything around her is a silver pool of light
People who surround her feel the benefit of it
It makes you calm
She'll hold you captivated in her palm

"Suddenly I see" KT Tunstall
Já está dando para perceber que esse inicio de ano foi extremamente conturbado já estou acostumada , mas nada como os preparativos de uma boa festa para dispersar as complicações do dia-a-dia. E não há nada mais importante para mim no momento do que roupas, cabelo e sapatos. E uma prévia daquilo que nos espera possibilita a nós sabermos o futuro dos acontecimentos... ou não.
E nada de aula hoje, ou seja, mais tempos para curtir o dia. E logo de manhã fui contemplada com um ótimo convite.
Meu celular deu o sinal de uma nova mensagem, ainda estava na mesa do café da manhã; descabelada e sonolenta me levantei para pega-lo, ou melhor tentar descobrir pelo som aonde poderia estar o meu celular, até que encontrei rápido depois de revirar algumas almofadas do sofá da sala.

Oi meninas! Vocês estão convidadas para uma prévia da minha festa.Tragam seus pijamas e cartões de crédito. =)
Beijinhos Camila.
De imediato liguei para Lisa.
Bom dia amiga!
Bom dia.
Ela respondeu com um tom de voz bem baixo. Parecia ter acabado de acordar também.
Você recebeu o SMS da Camila?
Recebi, mas você nem me deu tempo de ler. Espera um pouco que eu vou ver.
Então vamos?
Sei que se eu dizer não você vai me convencer a discordar de mim mesma, então para evitar trabalho sim!
Ah! Que bom. Vou ligar para ela para combinar horário. Pelo jeito vamos dormir lá. Beijos e até daqui a pouco.
OK!
Liguei para Camila naquele mesmo instante para ver o horário da nossa “festinha”. Marcamos para nos encontrarmos á tarde na casa dela com outro grupo de garotas, que também foram convidadas. Iriamos dormir na casa dela e irmos ás compras juntas.
Minutos antes do horário combinado eu e Lisa estávamos prontas para irmos. E na verdade parecia que estávamos indo par uma viagem de semanas com tanta coisa que levávamos em nossas malas. A minha mãe nos levou até a casa da Camila . E ao chegar lá eu fiquei impressionada com o tamanho da casa dela, já tinha ido lá algumas vezes, mas apenas à noite e não tinha tido noção do tamanho da mansão.
Em frente aos enormes portões brancos da mansão fomos atendidas por um porteiro eletrônico.
Boa tarde!
Vim trazer minha filha e sua amiga a convite da Camila.
E quem seriam elas senhora?
Mille e Lisa.
Permitida a entrada. Sejam bem vindas meninas.
E de repente, automaticamente os portões se abriram. E adentrando percebemos como era mesmo grande o jardim, e ele era bem maior do que eu me recordava.
Minha mãe estacionou o carro em frente a escadaria da casa. Fomos recepcionadas pela Camila, e antes que a minha mãe começasse o discurso deliberado de como eu deveria me comportar na casa das outras pessoas me despedi dela.
Camila estava vestindo um lindo e felpudo roupão cor-de-rosa. Quase que só podíamos ver seus olhos e seus compridos cabelos negros.
Que bom que vocês vieram meninas.
Veremos o que o dia nos reserva eu disse empolgada
Enquanto conversávamos um senhor uniformizado retirava de nossas mãos as malhas entulhadas de coisas que provavelmente não iríamos usar.
Entrem, estamos todas lá em cima no meu quarto.
Fomos conduzidas por Camila através de um hall que mais parecia uma das salas de um museu. Pelo caminho nos deparávamos com quadros enormes e vasos ornamentados. Camila ia nos dando informações a respeito de alguns deles; como foram arrematados em leilões, a sua idade e até mesmo seus preços exorbitantes. Não que Camila fosse esnobe, mas me incomodava saber que um vaso de trinta e seis centímetros custasse o dobro do que custa o carro do meu pai.
Ao fim do hall chegamos a uma escada de mármore que nos levou ao quarto da Camila. Nele estavam reunidas algumas meninas conhecidas e outras que eu nem f azia idéia de quem fossem. E eu acho que caber iam o meu quarto e o da Lisa dentro do dela e ainda assim sobrava espaço para o closet.
O quarto era todo lilás com algumas gravuras de borboletas, estrelas e flores pelas paredes, sua cama era enorme e pelo chão estavam espalhadas variadas almofadas. Das janelas podíamos ver toda a entrada da mansão e o uma ótima visão do jardim.
E no meio de tantas meninas não parávamos de falar por um instante Camila subiu em um de seus puffs rosa e começou a falar, parecia que ia se candidatar para o grêmio da escola.
Olá garotas! ela foi respondida com um “oi” em coro eu reuni todas vocês aqui para que possamos passar toda a véspera do meu aniversário juntas, e se vocês estão aqui é porque se destacam dentre todas as outras convidadas. Claro que eu iria querer apenas pessoas que eu realmente gosto perto de mim nesse momento. E eu preparei para nós uma lista com os horários das nossas atividades. Espero que vocês se divirtam.
Ela desceu do puff calçou novamente sua pantufa e se direcionou a um dos empregados. Ele pegou uma grande resma de panfletos e começou a distribuir para todas as garotas no cômodo.
Na lista constavam as atividades e seus respectivos horários.

ATIVIDADES:

SHOPPING....................... 13:00h

Coffe Break....................... 16:30h

Festa do Pijama................ 19:00h

Pelo visto vai ser animado isso daqui.
Lisa falou em um tom abusado.
Lisa, você pode parar com a ironia? E nós vamos nos divertir sim. Vem. Vamos dar uma ajeitada no look porque daqui a pouco temos que ir ao shopping.
Nos reunimos todas à frente da mansão, enquanto uma fila de carros ia se formando a nossa frente . Fomos instruídas a formarmos grupos de quatro garotas em cada veículo. Eu e a Lisa acabamos em um carro com outras duas garotas que mal tínhamos contato, embora eu soubesse que elas estudavam na nossa escola. E assim a fila de carros começou a cruzar os jardins da mansão até os grandes portões.
E depois de alguns minutos chegamos aos shopping e o grande grupo de garotas que desceram dos carros foram se dispersando em grupos menores de três ou duas meninas.
Lisa vamos primeiro aos sapatos. Estive aqui semana passada e me apaixonei por um.
Então vamos. Eu ainda nem tenho um em vista.
E entramos naquele paraíso de cores, tamanhos e saltos que era a loja.
Lisa começou a puxar assunto a respeito do Lucas para saber o que eu iria dizer, mas eu não me importei e deixei que ela entrasse no assunto. Já não tinha mais duvidas a respeito de gostar ou não dele. Poderia inda não saber a intensidade.
Mille o que você pretende fazer daqui para frente com a história do Lucas?
Ainda nem sei amiga. Vou primeiro esperar para ver o que vai rolar. Mas sabe quando algo que você sente por alguém é tão...tão especial que você fica perdida quando para para pensar? Eu estou me sentindo assim com ele. enquanto caminhávamos pela loja e conversávamos eu já tinha em mãos quase umas dezena de sapatos em mãos... Lisa tinha dois. Talvez seja cedo de mais para eu estar tão animada com isso.
Nos sentamos e começamos a experimentar os sapatos que tinham sido quase garimpados por Lisa e adorados por mim sem nenhuma objeção.
Possa ser que você tenha ficado mexida com os atributos físicos do loirinho.
Acho que não, mas pode ser. Ai que lindo esse! Perfeito.
Acho que encontrei o meu também. Era o que você tinha visto semana passada?
Não. Mas esse ficou perfeito.
Vamos então aos vestido Mille. Por que pelo menos com sapatos e roupas você sabe o que quer.
Demos uma volta pelas vitrines e acabamos por entrar na nossa loja de vestidos preferida. Lisa viu um vestido na vitrine que combinava muito com o sapato que ela tinha comprado e que ela adorou. Entramos na loja e acabamos encontrando a Camila e uma outra garota que eu nem tinha reparado na casa dela. Nos vieram e vieram em nosso encontro.
Oi Mille, Lisa!
Oi Camila. Pensei que sua mãe já tinha desenhado o seu vestido para a festa.
E desenhou, eu só vim ás compras por causa da minha prima. a menina que a acompanhava se aproximou. Era loira com os cabelos muito lisos e compridos. Se vestia muito bem e usava uma maquiagem bem forte, o que acentuava o verde dos seus olhos Essa é a minha prima Bianca. Ela acabou de voltar da França. Bianca essas são Lisa e Mille, amigas da escola.
Prazer garotas.
Acenamos com um sorriso. E Camila continuou.
Ela deve passar esse ano inteiro aqui no Brasil conosco.
Estava morando aonde na França Bianca?
Em Paris. Gosta da França Mille?
Sim, embora nunca tenha ido. Mas é uma das minhas metas. Meu pai já foi algumas vezes, mas a trabalho, assim nunca dava para eu ir.
Mas vá sim. A cidade é linda. E as lojas melhores ainda.
Os cafés de Paris também são esplêndidos, assim como o acervo cultural. comentou Lisa.
Vi que ela tinha em mãos um Gucci preto.
Esse ficaria Gucci melhor em uma cor mais viva.
É verdade ela voltou á arara e pegou um do mesmo modelo só que verde escuro eu ainda estou meio atrapalhada com a mudança de guarda roupa, parece fuso horário.
Rimos.
Entendo. Esse é lindo.
Acho que encontrei o meu vestido então. Vamos Camila. E até mais, obrigada pela consultoria Mille.
Não foi nada.
Elas sairam e agora era a nossa vez de encontrarmos nossos respectivos vestidos.
Simpática essa prima da Camila não achou?
Um pouco presunçosa na maneira de falar, mas parece legal.
Eu estava pensando Lisa. Ele deve aparecer na festa.
O Lucas?
É.
Pelo jeito sim. Olha esse rosa a sua cara.
Quando vi o D&G fiquei deslumbrada.
O que seria de mim sem você amiga.
Nada, eu sei.
Acabamos levando umas outra peças além dos vestidos e resolvemos ir a praça de alimentação do shopping. Compramos sorvete e continuamos a olhar as vitrines.
Só faltam alguns minutos ara nós voltarmos Mille.
Vamos para a entrada do shopping então.
Quando chegamos à entrada do shopping nos deparamos com um aglomerado de garotas e sacolas. E pouco tempo depois a fila de carros que tinham nos trazido voltou a se formar a nossa frente, entramos com nossos respectivos grupos de garotas. E pelo o caminho o assunto não poderia ser outro a não ser a respeito do que tínhamos comprado.
Ao chegarmos á mansão encontramos uma enorme mesa,forrada com guloseimas e xícaras de chá. Todas sentamos e Camila continuou de pé.
Não se preocupem com as suas sacolas, elas seram etiquetadas com seus nomes e levadas para seus respectivos quartos. Espero que todas tenham tido ótimas compras e que agora se deliciem com o chá que preparei para vocês.
Dessa forma nos colocamos a comer e simultâneamente a conversar, o que provocou um enorme burburinho pela mesa e que ecoou por todos os enormes cômodos da casa.
Após o chá fomos para o banho, e felizmente tinha banheiro em todos os quartos, assim ficava fácil revesarmos.
Colocamos nossos pijamas e descemos para escolher o filme que assistiríamos . Tínhamos agora a difícil tarefa de escolher entre Legalmente Loira, O Diabo Veste Prada e Sex in The City e após discutirmos que Sarah Jessica Parker tinha surpreendido a todas no longa da série, a atuação de Reesie Witherspoon tinha marcado nossa pré-adolescência e a ascensão de Anie Hathaway ao lado de Merrel Strip, por idéia da Bianca acabamos optando por ver todos.
Ao fim dos filmes Bianca se levantou de onde estava e colocou uma música com um ótimo ritmo,
Meninas vocês já viram festa sem música, o que vocês acham de dançar um pouco.
Ela aumentou o som e todas foram contagiadas pela música. Ela era mesmo um bom exemplo de animação, mas parecia subestimar todas as outra garotas, tanto que falava muito pouco com qualquer uma que seja. Passei até a me sentir um pouco lisonjeada vendo que ela pelo menos olhava para mim e esboçava um breve sorriso. Já com a Lisa parecia tão indiferente quanto com as outra garotas.
E ao fim da bagunça estávamos todas caindo de tanto sono. Camila bocejando e com a voz um pouco cansada começou a falar
Bom meninas eu já vou me recolher, afinal amanhã é o grande dia. E logo pela manhã eu devo sair de casa por isso vocês não devem esperara pela minha companhia durante o café da manhã. Mas não se preocupem, os empregados estarão a serviço de todas vocês.
Após o comunicado poucas meninas permaneceram na sala. Eu e a Lisa fomos para o quarto também.
Tínhamos sido distribuídas pelos quartos da casa de forma confortável, embora fossemos um número grande.
Enquanto estava deitada pensava no dia seguinte, para ser mais exata na festa do dia seguinte. Já tinha quase tudo que eu precisava para aquele dia: meu vestido; sapatos; horário no salão de beleza, só não tinha a certeza do que aconteceria na festa e na verdade se eu iria ver o Lucas.
Pela manhã me levantei e notei que Lisa já tinha acordado e algumas meninas que ficaram no mesmo quarto que nós ainda estavam desmaidas em baixo dos edredons. Depois que foi ao banheiro lavar os rosto e dar um jeito no cabelo atravessei os corredores e desci a enorme escada de mármore , cheguei até a copa onde no dia anterior tinham nos servido o chá. Lá se encontrava sentada sozinha em uma das cadeiras a Lisa.
Oi amiga!
Bom dia Mille!
Tomando seu café da manhã sozinha.
Você estava tão quietinha dormindo que eu não quis te incomodar.
Ontem eu deitei e dormi que nem percebi.
Também vocês se acabaram dançando. Vi você como estava animada com a sua nova amiga a Bianca.
A palavra “Bianca” foi pronunciada com um tom irônico.
Lisa, com ciúmes? Logo você que é tão equilibrada. Brinquei com ela.
Não é ciúme. Eu só não fui muito com a cara dela.
Só isso mesmo?
É só isso.
Me sentei ao lado dela e me coloquei a encher um pequeno prato com bolo e pedaços de frutas.
Você marcou horário no salão para hoje?
Você se esqueceu que eu quem sempre arrumo meu cabelo?!
O.K. Desculpe insultar a senhorita faz tudo.
Deixa de ser boba. Mas quem saiu logo cedo foi a Camila e a sua mais nova amiga. Acho que foram ao salão de beleza.
Aparentemente Lisa já tinha terminado o seu café da manhã. Eu ainda devorava um brown e um copo de suco de pêssego.
Eu tenho que ir para casa.
Eu também Lisa.
Minha mãe volta de viagem hoje e quer me ver.
Esse final de semana eu tinha que ir para a casa do meu pai, mas nem devo ir por causa da festa.
Terminei o meu café e subi para terminar de me arrumar e pegar as minhas coisas. O mordomo se deu ao trabalho de nos disponibilizar um motorista. Liguei para a Camila avisando que já estávamos indo embora e pouco tempo depois chegamos em casa.

* * *
E finalmente o dia da festa tinha chegado. A Lisa viria para a minha casa para nos arrumarmos , fazíamos isso desde pequenas.
Estava no meu quarto quando ouvi minha mãe bradar.
Filha atende a campanhia para mim.
Era a Lisa.
Entra Lisa.
Ela estava com as mãos ocupadas com bolsas de loja e outras coisas mais, peguei uma das sacolas e subimos para o meu quarto.
Ao final da tarde haviam estojos de maquiagem, batons, roupas, secador e esmaltes espalhados por todo o meu quarto, mas finalmente estávamos prontas para a festa.
Eu usava o Dolce cor-de-rosa que tinha comprado no shopping e a Lisa vestia de forma majestosa o Calvin Klein preto dela, que combinou perfeitamente com a sua maquiagem e seus adereços.
Mille a minha mãe vai nos levar até a festa. E nós precisamos ir porque estamos atrasadas.
E o que na verdade é uma festa? Um aglomerado de pessoas que procuram por bebida, diversão ou até mesmo por outra? Talvez essa não. Em certos momentos da nossa vida acabamos não notando mas ela vai criando caminhos para que nós estejamos sempre perto daquilo que esperamos. E eu nunca esperava que esses caminhos estivessem assim tão pertos de mim.

terça-feira, 9 de março de 2010

Como sempre a amizade...

When all you wanted
Was to be wanted
Wish you could go back
And tell yourself what you know now


“Fifteen” Taylor Swift


Acordei sem a menor vontade de ir à escola. Depois de ter refletido muito. É incrível como na vida nós somos totalmente controlados por sentimentos desconhecidos e que sempre nos pegam de surpresa. Nem sempre conseguimos controlar a nós mesmos e isso me deixa um pouco assustada. Queria que tudo fosse como em uma história que você mesmo escreve, você concebe aos personagens características, constrói ambientes e diálogos e no final você decide como tudo vai terminar. Mas infelizmente o livro da vida não é totalmente escrito por nós, existem inúmeros outros escritores que podem fazer com que esse livro fique mais alegre, dramático ou que o torne em uma história de terror.
E sinceramente eu não estava preparada para o que viesse ocorrer nessa história da minha vida. Antes não tinha nem certeza do que se passava dentro de mim mesma e agora o que me martirizava era saber o que se passava dentro de outra pessoa, será que meus sentimentos eram recíprocos?
Precisava urgentemente conversar com Lisa. Sei que ela é minha melhor amiga, mas ainda não tinha coragem de dizê-la que eu estava sentindo algo pelo Lucas.
Estava na hora de me levantar e ir para a escola. Levantei-me meio tonta, coloquei o rádio para tocar e fui tomar meu banho.
Não iria com a Lisa para a escola, tinha ligado para ela mais cedo, mas ela não me atendeu. Não devia estar em casa, porque fui ao andar dela e ninguém me atendeu. Mas concerteza nos encontraríamos na escola.
Cheguei atrasada à escola e por isso quando entrei no campus já não tinha quase ninguém no pátio, subi direto para a minha sala. Meu lugar estava guardado. E Lisa não estava no lugar dela de costume e nem em outro qualquer na sala.
- Oi pessoal!
- Oi Mille.Chegando atrasada que feio.
- Larga de ser bobo Mateus, você é o último que pode falar. Não é Rick?
- Prefiro ficar neutro nessa história de faltar aula.
Rimos em conjunto por que sabíamos que daqui há alguns meses o Mateus iria relaxar quanto à frequência .

Mas meninos cadê a Lisa?
- Olha parece que ia ter uma reunião lá com os editores do jornal, aí ela nem deve vir à aula hoje.
- Mas você chegou a falar com ela Rick?
- Ela passou por mim correndo ai só deu tempo de me falar isso.
- Ta legal então. Ela deve nos encontrar lá no Café.
- Isso.
E felizmente as aulas acabaram, agora tínhamos à tarde de sexta só para nós. E nada como um milkshake para nos preparar para o final de semana, que promete por sinal.
E curiosamente a Lisa não apareceu em nenhuma das poucas aulas daquela sexta-feira e isso me deixou preocupada, uma vez que não é do seu perfil faltar às aulas.
- Meninos que estranho a Lisa não ter aparecido hoje. Vocês não acham?
- É mesmo. A não ser quando o trabalho dela no jornal está envolvido.
Tive que concordar com o Rick.
Como a Lisa tinha dito que iria ao Café não procuramos por ela e fomos direto para lá. E como era perto da escola íamos a pé. Pelo caminho conversávamos, fazíamos brincadeiras um com os outros e tentávamos desviar da tentativa do Rick de colocar o pé na nossa frente para que caíssemos (a Lisa odeia essa brincadeira, se ela estivesse conosco estaria lhe dando broncas por isso).
Ao chegarmos ao Café sentamos à mesa de costume: uma que fica do lado de fora do Café abaixo do letreiro de neon que piscava incessantemente as palavras Moon´s Coffe. A mesa nos acomodava e possibilitava ter a visão completa do estabelecimento, assim como dos carros e transeuntes na rua. Tive de inicio a preocupação de colocar minha bolsa em um dos acentos para reservá-lo à Lisa.
Acho que o Moon´s Coffe é um lugar que personifica nossa amizade cada parede daquele lugar me trazia ótimas recordações, aquele azul escuro das paredes me levava a tempos remotos da minha infância, cada cadeira era como uma expectadora de nossas brincadeiras, cada mesa guardava nossos gestos e gargalhadas, era ali que falávamos das coisas que gostávamos, ouvíamos nossas músicas favoritas e fortalecíamos mais ainda nossa amizade.
- Oi pessoal! O que vocês vão querer hoje?
Francisco era um dos garçons do Café. Ele trabalhava em meio turno por ser estudante também, da mesma escola que a gente, era ele quem sempre nos atendia. Uma pessoa muito simpática. E a pergunta que ele nos fez é mais do que retórica.
- O de sempre Francisco.
- Ta Mille. O seu de morango, o do Rick também, Mateus chocolate e o da Lisa...Cadê a Lisa?
- A Miss simpatia Francisco?  disse Rick com um sorriso maldoso  Ainda está na escola, mas já vem.
- Então ta. Por via das dúvidas vou esperar para confirmar o pedido dela.
Sabíamos que isso era apenas uma desculpa para que ele voltasse à mesa, quando a Lisa estivesse, para poder falar com ela. E sabíamos também, em unanimidade, que ele era super afim dela e até ela mesma sabia.
Estávamos sentados à mesa e o Rick fazia para tacar em mim e no Mateus, consegui me esquivar de algumas, mas ele é bom de mira. Assim que a Lisa chegou ele parou com a brincadeira, eu e o Mateus tentamos fingir que não estávamos compactuando com a brincadeira do Rick. Contudo eu não consegui me segurar, peguei uma das bolinhas de papel e joguei nela, o projétil foi de encontro ao rosto dela fazendo com que fechasse um dos seus olhos. Ela fechou a cara, virou de costas – e naquele momento eu me arrependi profundamente do que tinha feito e de súbito ela se virou e me tacou uma enorme bola de papel que devia ter sido feita com um dos inúmeros que ela tinha em sua mão, todos rimos do acontecimento. A Lisa pegou a minha bolsa que estava na cadeira ao meu lado me entregou e sentou-se ainda dando gargalhadas da nossa brincadeira.
- Que calor! Onde está o Francisco?
- O seu príncipe?
Brincou Rick dando risadas.
- Ai, idiota! Já falei para você parar com esse tipo de coisa.
- Calma foi só brincadeira.
Antes que começasse a discussão interrompi.
- Que feio em amiga, matando aula.
- É verdade Mille, nem queria, mas tive problemas no jornal com a edição desse mês. Tive que ficar a manhã inteira resolvendo esses problemas.
Ás vezes Lisa quase dava a sua vida pelo jornal da nossa escola, não que ela deixasse de ter nossos momentos juntos, mas estava sempre muito preocupada com as matérias e tudo mais do jornal. E para ela quando entramos na escola e ela foi convocada para ser uma das editoras do jornal foi uma grande realização para ela. Mesmo sendo apenas um jornal de caráter escolar. Ela se sentia bem em poder fazer o que ela gosta: escrever, dentro de um ambiente bem conhecido como era a escola para ela.
Conversávamos a respeito do que faríamos no final de semana alem de irmos ao aniversário da Camila e durante o assunto o Francisco percebeu a presença da Lisa. Terminou de atender a uma das mesas ao lado e veio praticamente correndo de encontro à nossa mesa, na verdade de encontra à Lisa.
- Oi Lisa!
- Oi Francisco!
- Qual vai ser o seu pedido? Ela sabia o que ela pediria, mas não queria perder a oportunidade de conversar com ela.  Algo de diferente do de sempre?
- Não, o mesmo de sempre.
Ele ficou um tempo parado na nossa frente, com certeza tentando encontrar uma forma de prolongar a conversa com ela.
- Eu não vejo a hora de ler o seu primeiro arquivo desse ano.
- Que bom!  ela falou sem graça Vamos falar a respeito dos intercambista desse ano. Vai ser publicado semana que vem. Espero que você goste.
- Pode ter certeza, você escreve incrivelmente bem.
- Obrigada, Francisco.
Como ele viu que o assunto não estava fluindo por parte dela, desistiu das suas investidas para manter a conversa. Não que a Lisa fosse antipática ou tratasse os outros com desprezo, mas ela ficava muito constrangida na presença do Francisco por causa da forma que ele gostava dela.
- Ta bom então. Vou buscar o seu milkshake.
- Ah que bom. Estou morrendo de calor.
Ele saiu e pouco tempo depois olhou para trás, acho que na expectativa da Lisa ter feito o mesmo... decepcionou-se.
- A Lisa tem um fã, gente.
- Só não é o número um, porque têm eu, a Mille e o Rick que já somos.
Brincaram Rick e Mateus. Ela não se manifestou fingindo ignorá-los.
- Ele deve ir à festa da Camila.
- Ele eu não sei, mas nós vamos. Não é meninas?
Rick direcionou a pergunta na verdade à Lisa. E ela respondeu com toda a certeza.
- Vamos sim.
Esse assunto fez meus pensamentos remeterem ao Lucas. E também ao0 fato de que eu queria conversar com a Lisa sobre ele. Ao mesmo tempo que estava eufórica me sentia apreensiva.
- Lisa vamos ao banheiro?
Não havia lugar melhor para tratarmos do assunto.
- Vamos. Deixa eu pegar a minha bolsa.
Saímos e os meninos nem se deram conta, deviam estar falando a respeito de uma garota que devíamos achar sem graça.
Chegando ao banheiro feminino encontramos o movimento de sempre, tão badalado quanto o shopping.Tirei da minha bolsa o batom e o gloss, e me coloquei em frente ao espelho. Quando o movimento diminuiu criei coragem para conversar com a Lisa, afinal eu não queria que minha vida virasse mais uma daquelas fofocas de banheiro.
- Eu pensei muito naquilo que você me disse...
- E...
- E... Devido ás circunstâncias dos pequenos encontros, eu percebi que esse Lucas mexe mesmo comigo.
- Me conte uma novidade  disse ela com um ar de desdém.
- Eu sei que você possui esse poder incrível de me entender, mas você deve saber que nem eu mesma consigo me entender às vezes.
- Eu sei...
Ela colocou sua mão sobre a minha, eu tinha os olhos lacrimejantes, porém um sorriso em minha face.Ajeitei uma mecha de cabelo que estava sobre o meu rosto.
- Mas e agora o que eu faço?
- Aí, Mille, resta saber se ele vai corresponde aos seus sentimentos. Se sim, aproveite o momento, ele é lindo e parece muito legal. Se não, nos resta ver se ele algum dia ele vai perceber a menina especial que você é, e se ele merece mesmo o que você está sentindo por ele.
- Que aflição amiga.
- Calma Mille. O primeiro passo você já deu, que foi perceber que você está interessada por ele, e na verdade eu nem entendi porque tanta demora e drama para você perceber isso.
- E nem eu mesma sei. Mas nossa aproximação não foi como a com outros garotos, ele tem alguma coisa especial. Sei lá, o jeito que ele me olha, seu sorriso...
- E que sorriso hein...  rimos as duas.
- Mas agora eu sei que estou gostando dele, ainda não sei o quanto e nem se ele me notou. No entanto já sei dos meus sentimentos por ele.
- É claro que notou. Foi super simpático com você nas vezes que nos encontramos e talvez você estivesse sendo imbecil o bastante para não perceber.
- Acho que foi isso.¬ri por algum tempo¬ Foi meio difícil para que eu aceitasse que estou gostando dele, mas esse sentimento é muito forte,e como é.
-É incrível mesmo amiga, como nos tornamos refém de uma coisa tão abstrata e incompreensível como o sentimento.
- Agora mais do que nunca sei como é isso.
- E agora temos que saber aonde ele vai te levar, se vale a pena se render, lutar ou até mesmo desistir. A vida nos dá muitas alternativas, nunca as respostas, mas meios de chegar até elas e isso vendo, ouvindo e sentindo, não com os sentidos em si... com o coração.
E as palavras da Lisa eram tudo que eu precisava nesse momento. Ela consegue me aconchegar e me mostrar os caminhos. Consegue me dar limites e me ensinar a expandir meus horizontes. Me leva a refletir e dessa forma encontrar respostas dentro de mim mesma.
Sorrimos uma para a outra por alguns instantes.
- Sabia Lisa, que você é uma das pessoas mais importantes que eu tenho na minha vida?
- Que nada. Você quem é especial na minha vida.
- Ninguém me compreende tão bem como você.
- Ninguém me ouve tão bem como você.
E era assim que caminhávamos: rumo ao desconhecido, porém em conjunto, o que se mostrava de grande importância.
Eu não sabia se o Lucas se mostraria a mim com os mesmos sentimentos que eu, contudo eu tinha certeza de que Lisa estaria ao me lado para me ouvir, aconselhar e me auxiliar por esse percurso.
E assim vejo o quão importante algumas pessoas se mostram em sua vida. E quando você não sabe mais para onde ir elas te dão a mão, te seguram e te levantam.Ao me entender a Lisa mostra a forma como o ser humano pode te surpreender mostrando tanta compreensão em uma só pessoa.
E em eventos futuros talvez esqueçamos como necessitamos dessas pessoas mais que especiais em nossas vidas, e eles de qualquer forma estarão lá.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Incertezas e Constatações

I don't know but I think I may be Falling for you Dropping so quickly Maybe I should Keep this to myself Waiting 'till I know you better
 “Fallin’ For You” Colbie Caillat
 Depois do encontro desastroso com o Lucas subimos para a nossa sala. Me lamentava em saber que iria encontrar esse tal de Lucas na festa de aniversário da Camila. Era estranho ter antipatia por alguém sem ao menos conhecer essa pessoa direito. Isso nunca tinha acontecido comigo e eu sabia que agis de forma errada tratando esse menino desse jeito., mas era bem mais forte do que eu.
  Chegamos à sala depois de subirmos aquelas rampas, rampas essas que nós deixariam em cacos até o fim do ano. A aula era de biologia, que por sinal eu odeio e para piorar a situação  teríamos aula com o mesmo professor do ano passado. Ele tem uma mania de dar risadinhas ao final de cada frase que me deixa muito irritada, fica batendo o apagador constantemente contra sua mesa produzindo o baralho que irrita a todos, menos a ele próprio, fora o fato de que ele adora fazer perguntas  que sabe que não teremos a resposta, acho que para parecer mais inteligente do que os alunos. Resumindo: ele não é o professor mais popular entre os alunos.
  Enquanto prestava atenção nos comentários sem graça do professor sobre a viajem dele de férias à Amazônia (não que eu não goste da Amazônia, pelo contrário e adoro, mas tudo parece chato contado por ele) eu fazia meus comentários sobre como ele era chato, senti a mão da Lisa me tocando.
  Me virei.
- Me chamou Lisa?
- Chamei sim. Queria conversar com você a respeito de alguém.
- Quem?
- Eu tenho percebido que você não fica muito à vontade na presença dele e como somos amigas sei que temos total liberdade para conversarmos a respeito de tudo.
- Claro que sim. E essa pessoa que você está falando é esse menino novo o Lucas.
- Dele mesmo. Você não tem sido muito legal com ele nas vezes que nos encontramos e você não é antipática desse jeito com as pessoas Mille. Mesmo com aquelas que você não conhece há muito tempo.
- Eu sei.
- Então por que quando ele aparece você fica tão nervosa? Você percebeu que agora pouco você quase disse para que ele não fosse a festa?
- Eu não fiz isso. Eu só disse que não estava a fim de ir a festa.
- Mille! Sabemos muito bem que a pessoa que mais estava a fim de ir a essa festa era você. Por quê essa mudança repentina? Sinceramente me pareceu que você mudou de idéia ao saber que o Lucas iria para a festa da Camila também.
 A calma com que a Lisa falava e a certeza em suas palavras e em sua voz me pareciam pior do que se ela estivesse no meio da sala aos berros brigando comigo e me forçando a confirmar algo que eu ainda nem tinha certeza se era verdade.
- Mas eu não posso ter mudado de idéia?
- Desculpa Mille, mas você ontem estava super animada para ir ao shopping, experimentar e comprar inúmeros vestidos, escarpin,  fazer o cabelo... E para falar a verdade você nem tem um motivo plausivo para não querer ir de repente.
  E o pior que Lisa tinha razão e eu nem tinha como contestar. E esse era um dos problemas de entrar em uma discussão com ela. Lisa é muito perceptiva quanto aos ambientes, as pessoas e seus atos com isso ela adquire a habilidade de perceber aquilo que nem a pessoa sabe sobre ela mesma. E era assim que eu me vai naquele momento: tendo os meus sentimentos traduzidos por outra pessoa, mas até que já estava um pouco acostumada com isso se tratando de Lisa. E como ela era boa nisso.
- Mas...
 Não tinha nem como eu argumentar parei antes de tentar formular algo. Sabia no fundo que seria inútil. E nesse momento ela disse a frase que me levou totalmente a baixo.
- Eu acho que você está gostando dele.
 Felizmente o professor chamou a nossa atenção, o que me salvou de ter que retrucar o que Lisa tinha acabado de me dizer sabendo que não seria bem sucedida em minha resposta.
- Lisa, Mille!Vocês duas não param de falar desde o momento em que eu entrei nessa sala. Vejo que os anos mudam, mas algumas coisas permanecem. Não é meninas. Todos abrindo as apostilas na página seis.
 Depois de uma bronca dessas fiz o que o tinha nos dito o professor permanecendo virada para frente para evitar que Lisa retornasse ao assunto que estávamos conversando. E por sinal ela não tentou uma retomada a nossa conversa. Tínhamos o costume de não sermos petulantes quanto a qualquer assunto relacionado ao outro. Esperávamos o momento em que nos sentíssemos à vontade e preparados para tocarmos no assunto novamente e isso valia  para os garotos também e dessa forma falar de nossos problemas ficava bem mais fácil, porque tínhamos a liberdade de nos abrirmos quando estivéssemos prontos.
  E pensando no que tinha ouvido da minha melhor amiga. Tentava provar para mim mesma que o que ela disse não era verdade, que o fato de me sentir incomodada com a presença dele, de seu jeito e seu sorriso me parecerem ameaçadores, e ao mesmo tempo lindos, e tocar a sua mão me deixar nervosa não significassem nada. Mas então porque eu tinha me sentido tão estranha daquele jeito? Simplesmente eu não estava nem entendendo a mim mesma.
  Eu já tinha conheci outros garotos, até mais bonitos que ele, e até ficado com alguns, mas com nenhum eu tinha me sentido daquela forma. O que não significava que eu estava gostando desse garoto.Tentei esquecer essa história e até a mim mesma e me concentrar na aula.
  Ao final das aulas paramos na entrada do campus da escola. A Lisa não voltou a falar do Lucas e muito menos eu. Preferia ver se ela is esquecer o que tinha ocorrido dentro daquela sala de aula, algo que eu tinha certeza de que não aconteceria.
  E enquanto esperávamos por nossos respectivos pais, Mateus confirmou o nosso encontro no Café no fim de semana.
- Então todo mundo está livre para sair amanhã.
- Estamos sim.
  Eu confirmei. Da mesma forma que Rick e Lisa.
- Mille,sua  mãe vem hoje buscar a gente, ou você quer que eu ligue para a minha?
- Não Lisa a minha mãe vem. Não precisa se preocupar vem com a gente.
- Está bem.
- Vou ligar para ela vir nos buscar.
  Enquanto eu estava ligando para minha mãe o pai do Mateus chegou. Simultaneamente falava no telefone e me despedia dele e do Rick.
- Mãe?... Tchau Rick até amanhã. Pode deixar Mateus que estaremos lá amanhã.
- Ta bom então.
Continuei a falar com a minha mãe.
- Mãe vem buscar eu e a Lisa. Estamos em frente à escola te esperando.
- Ta bom filha. Daqui a uns dez minutinhos eu chego aí.
- Beijo mãe.
  Eu e a Lisa ficamos sentadas em um dos banquinhos na frente da escola enquanto a minha mãe não chegava. Para passar o tempo falávamos a respeito dos meninos e meninas que entravam e saiam da escola, comentávamos de seus sapatos aos cabelos, elogiando-os ou condenando-os.
  E depois de algum tempo ela chegou. Encostou-se à calçada de forma meio desastrada- ela é melhor lidando com pessoas complexadas do que com volante e rodas.
- Oi Lisa! Oi meu amor.
- Oi tia.
- Oi mãe.
- Como foi a aula hoje filha?
- Bem mãe.
- E você Lisa tudo bem?
- Uhum. Tudo.
- Não vejo a sua mãe há alguns dias, como ela está?
- Bem também, só um pouco ocupada ultimamente.
- Sei bem como é. Mas vamos então, porque eu ainda preciso ir para o consultório.
  Entramos no carro. Minha mãe fez sinal para que colocássemos o cinto de segurança. Como eu entrei no banco de trás Lisa acomodou-se no banco da frente, ela sabia que eu queria ficar um pouco só.
 E enquanto o carro vagava pelas vias da cidade eu me mantinha em silencio deixando que as sirenes, as buzinas e os passos na rua falassem por mim e os prédio grandes e cinzas refletissem o que eu estava pensando. Durante esse período a minha mãe conversava com a Lisa sobre o nosso futuro, faculdade, namorados... Tudo que nós não queríamos falar agora. Às vezes ela direcionava o assunto a mim, mas eu só respondia com palavras monossilábicas para evitar que ela continuasse o assunto comigo.
  E enfim chegamos ao prédio onde morávamos. Eu desci junto com Lisa enquanto isso minha mãe foi estacionar o carro na garagem do prédio. Pegamos o elevador e quando a porta se abriu no meu andar e eu estava para sair a Lisa me deu um forte abraço.
- Depois me liga amiga.
- Pode deixar. Depois a gente conversa.
  Sai do elevador e no instante em que a porta se fechava Lisa deu um tchau com a mão e um sorriso lindo, o que de uma forma maravilhosa me obrigou a retribuir.
  Chegando em casa a primeira coisa que fiz foi jogar minha mochila no sofá e subir as escadas correndo indo em direção ao meu quarto. Tranquei a porta e coloquei a minha playlist de músicas tristes para tocar.
 Precisa ficar sozinha e refletir um pouco sobre o que minha amiga tinha me dito. E como ela mesma tinha me ensinado:nada como quatro paredes e uma boa música para que tudo fique em seu lugar.
  E aquele era mesmo o melhor ambiente para que eu me encontrasse. Eu sentia o meu quarto inebriado pelos meus pensamentos, cada dúvida e certeza em um puro relance de indecisão e desespero quanto ao que se passava dentro de minha cabeça.
  Enfiei meu rosto em uma das minhas almofadas e comecei a retomar em pensamento os encontros com o Lucas, como em um filme.
  E agora eu conseguia decifrar cada reação minha, cada fuga de olhares, o jeito como eu segurava de forma mais apreensiva o meu material escolar quando ele estava por perto, como movia os meu pés contra o chão de uma maneira nervosa. Reações essas que eu só fui me dar conta agora.
  Conseguia agora decifrar aquilo que estava dentro de mim e eu não conseguia enxergar. Tomara noção do que significava aquele incomodo e nervoso quando estava na sua presença, o quanto sua simpatia era notável e ao mesmo tempo me parecia provocativa.
  Levantei a cabeça e olhei pela janela, via algumas nuvens pesadas que encobriam o Sol daquele fim de manhã, e finalmente contatava que eu estava mesmo gostando daquele garoto.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Convite

Baby baby
When we first met I never felt something so strong







Ontem fiquei preocupada com o Mateus e tive que ligar para ele. Atendeu-me com uma felicidade tão grande que nem parecia ter acabado um relacionamento. Ele disse que foi por causa da minha ligação. Que bom! Devemos sair hoje à noite tenho que falar com Lisa a respeito, para saber o horário e tudo direitinho...
− Alô! Lisa?
− Diga amiga!
− Olha te ligando para saber que horas que nós vamos hoje?
− Umas oito agente já pode estar lá no café...
− Ta legal então.
− Ah! Ia esquecer de te dizer. A Camila vai dar uma festa no final de semana que vem. Ela mandou o seu convite por mim ontem. Está aqui comigo. Depois eu te entrego.
− Ta bom. Você vai?
− Não sei ainda. E você?
− Só se você for. Hahahaha.
− Até lá eu resolvo. Agora vamos descer. As férias acabaram lembra? Temos que ir para a escola.
− É verdade, nem me lembra.
 A festa seria uma ótima pedida para esse início de ano. Ainda estamos com aquele pique de fim de ano.
 Hoje fui para a escola no carro da mãe da Lisa. E na verdade é bem melhor quando a mãe dela nos leva porque ela é totalmente descontraída e às vezes nem parece que tem lá os seus quarenta anos. A minha mãe já é bem mais contida. Com todo aquele jeito de psicóloga, tentando fazer tudo parecer extremamente correto e seus atos corresponderem a aquilo que os outros esperem que seja feito. Não sou assim. E isso aprendi com a Lisa. Sempre me ensinou a ser eu mesmo independente do que vão pensar. Adoro essa forma que ela me trata. Permitindo me descobrir e foi por isso que somos tão amigas.
 A mãe da Lisa deixou agente na frente da escola. E sai com o som do carro em um volume altíssimo.
 Hoje Rick e Mateus não estavam na frente da escola, só os encontramos depois que entramos no campus.
− Oi meninos!
− Oi Mille. Lisa!
− Oi Mateus. Cadê o Rick?
− Está vindo ali.
− Oi garotas! E ai todo mundo animado para a festa da Camila?
− Eu não estou muito não. Já tenho um monte de material do jornal para revisar e editar. Estou com medo de não dar tempo de entregar tudo pronto até semana que vem.
Lisa como sempre nada animada com festas.
− Ah! Vamos sim Lisa... Nos juntamos e ai a festa vai ser a melhor que você já foi. Sabe que com agente as festas sempre são ótimas.
Rick como sempre animado com festas.
− Vamos sim pessoal. A Camila é muito legal e ia ficar desapontada se não fossemos.
Concordei com Mateus.
− É mesmo. Eu sei que a Lisa vai. Por nós.
Fiz uma cara de criancinha que vai chorar, aquela que a Lisa não suporta porque é a que faz ela fazer o que eu quiser.
− Fazer o que. Vocês quase me obrigando. Ah!!! Pessoal hoje as oito no café.
− Claro marcado.
 O café é o nosso segundo ponto de encontro depois da escola. É lá onde tiramos para conversar sobre tudo. Vai desde a fofoca de nós meninas, músicas, famosos até os assuntos de futebol de Mateus e Rick. E lá serve o melhor milk-shake da cidade.
− Então ta hoje às oito. Lisa vamos a cantina? Saí correndo de casa, e não deu tempo de comer nada. Se minha mãe soubesse ia me matar.
− Vamos lá. Antes que os sensores dela indiquem que você está sem nada no estomago e comece a te ligar desesperada.
 Lisa como ninguém sabia como minha mãe era neurótica e super protetora. Bem diferente do meu pai. Sei que ele me adora mesmo ficando pouco tempo juntos. Só nos finais de semana por eles serem separados. Mas ele é menos preocupado e nem por isso deixa de gostar de mim. Na verdade me dou bem melhor com ele do que com minha mãe, não que ela não seja uma ótima mãe, conselheira e amiga. Sabe conversar como ninguém. Mas parece que ela entrou em uma disputa idiota com o meu pai para ver quem me dava mais atenção depois que eles se separaram. Isso acabou colocando ela meio neurótica em ficar tomando conta de mim. Ela também se culpa muito por não ter conseguido manter o nosso lar em estabilidade. Ela se achava na obrigação de ter que fazer tudo perfeito e derrepente viu seu casamento se desfazendo aos poucos. Meus pais hoje até que se dão super bem, ainda freqüentam a casa dos mesmos amigos sem nenhum receio. E sabiam que eles terem se separado foi até melhor. Em casa viviam em contenda. E isso não vazia bem a ninguém nem a eles nem a mim mesmo. E hoje eles tem um relacionamento amigável cada um em sua casa. Vejo que foi melhor para todo mundo.
  Nos direcionamos para a cantina. A Lisa me entregou o convite da Festa da Camila. Um lindo cartão lilás escuro com meu nome em dourado e dentro a data local e o nome da aniversariante bem grande.
− Aqui o seu convite. Você que está tão animada para a festa sem ele não entra.
  E quando dou os meus primeiros passos pela cantina vejo o Lucas. Aquele garoto novo na escola que tínhamos conhecido outro dia. Me virei para o outro lado para fingir que eu não o tinha visto. Mas minha investida foi inútil. Ele percebeu, deixou o que tinha em mãos em cima de uma mesa e começou a se mover em nossa direção. Vinha com um sorriso meio perturbador, e na verdade eu começava a perceber que tudo nele me soava perturbador. Ajeitou o cabelo de uma forma sedutora. Eu ameacei sair, mas fui contido pela Lisa que me segurou pelos ombros de com um jeito amigável e engraçado, esboçando um sorriso meio que palhaço para o menino.  

− Oi... Vocês de novo.
  Lisa não me deu tempo de tentar uma saída estratégica e já foi logo respondendo com entusiasmo.
− Olá. Para você ver como essa escola não é tão grande assim. Agente acaba se esbarrando uma hora ou outra. E você? Tudo bem nos primeiros dias de aula?
− Foi tudo bem. As pessoas são bem receptivas aqui.
  Ele me olhou de lado como se me dissesse algo. E nesse momento ele viu o convite em minha mão.
− Vocês vão à festa?
  Respondi. Que sim. Mas a Lisa com “espontaneamente” pôs se a dar detalhes a respeito.
− A festa vai ser Domingo agora na casa de uma amiga nossa a Camila, do segundo ano também. A galera toda vai.
− Legal. Eu recebi convite também.
O que!!!!!! Fiquei surpresa. É quase um milagre os calores começarem a freqüentar as festas dos veteranos logo no inicio do ano.
− Como você conseguiu ser convidado?
 Fiz a pergunta em um ton de desespero o que mais tarde me deixou extremamente com vergonha.
− Eu sou novo aqui, mas sou do segundo ano assim como vocês. Eu estudo na sala da Camila.
− Ah sim. Pensávamos que você ainda fosse do primeiro ano.
− Não vim transferido da escola da minha cidade. Porque mai pai está envolvido na construção de um prédio aqui na cidade. Aí tivemos que nos mudar para cá. A menos de quinze dias que estamos na cidade.
− A que legal. Então é mesmo tudo novo para você aqui.
 Eu parecia estar nem ligando para o que ele falava. E na verdade o fazia propositalmente para que evitasse entrar em outros assuntos. Mas a Lisa parecia que queria me torturar continuando a conversa. E ele continuava a me olhar de forma indagatória isso me deixava nervosa. Negava-me até mesmo em olhar para ele.
− Mas então vejo vocês na festa?
− Nem sei. Ando meio cansada.
Usei uma das minhas piores desculpas para que a Lisa a estraga-se. E além do mais incrivelmente mudou completamente de idéia quanto a ir para a festa.
− Ah fala sério Mille nós vamos sim. Te vemos lá. Lucas não é.
− Isso mesmo. Ta bom então, Mille e Lisa?
− Isso mesmo.
 Felizmente ele estava indo. Mas antes de deixar o ambiente ficou na minha frente e me deu um beijo bem lento em um dos lados do rosto. Fique vermelha com aquilo, nunca esperaria que um garoto que praticamente acabei de conhecer tomasse a liberdade de ter um contato tão intimo comigo.
  Ele também deu um beijo na Lisa, contudo foi bem menos tenso do que o que ele tinha dando em mim. E foi embora mais lento do que da ultima vez que tínhamos nos visto. E dessa vez na metade do caminho virou-se para trás. E deu mais um de seus sorrisos.
  E agora mais do que nunca me encontrava em desespero com tudo que estava acontecendo dentro de mim. Por que estava agindo daquele jeito? Por que não conseguia agir normalmente perto de alguém que eu mal conhecia. Nunca tinha sido tão desconfortável e tão agradável ao mesmo tempo estar perto de alguém. Estava mesmo precisando por minhas idéias no lugar e conseguir naquele momento entender a mim mesma.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O novo solteiro.

Throw it away
Forget yesterday
We'll make the great escape
We won't hear a word they say
They don't know us anyway
Watch it burn
Let it die
Cause we are finally free tonight

“The Great Escape” Boys Like Girls





É incrível como nós não nos conhecemos. Na verdade achamos de forma leviana que somos totais detentores daquilo que pensamos e da forma que agimos. E em vários momentos da vida vemos que isso não é verdade. Infelizmente somos levados pela emoção dos acontecimentos e quando vemos nossos atos já não corresponde a aquilo que achávamos que faríamos em momentos surpreendentes da nossa vida. Ontem me vi totalmente submissa a um sentimento que até agora não sei do que realmente corresponde. E o que mais me intriga é como aquele menino e aquele acontecimento ficaram marcados em minha cabeça. Pensei no que tinha me ocorrido durante horas a fio. Mas resolvi por fim esquecer tanta confusão na minha mente logo no inicio das aulas.
  Tinha muita coisa para me focar nesse inicio de ano. Já tinha em mãos o novo horário e felizmente aula vaga às sextas-feiras o que significava mais tempo com os meus amigos após as aulas. Lisa já estava ocupada com suas obrigações com o jornal da escola. Ela adora escrever a já no nosso primeiro ano na escola ela consegui entrar para a equipe do jornal por escrever muito bem.
 Hoje cheguei um pouco atrasada na escola por que Lisa teve que sair mais cedo e não fomos juntas, o que significa que ela não passou na minha casa para me chamar e conseqüentemente dormi além da conta.
 Chegando à escola me encontrei de cara com Rick. Tava conversando sobre o futebol que tinha passado ontem na TV.
− Oi Mille! Tudo bem?
− Tudo. E com você?
− Também.
− Cadê o Mateus e a Lisa?
− Ele deve estar no ginásio. Acabou de sair daqui. Já a Lisa apareceu por aqui um pouco mais cedo. Mas muito rápido parece que tinha algum compromisso com o jornal.
­− É eu sei.
 Nossas vidas escolares mal começam e já temos tanta coisa para resolver. Por isso que ao fim do ano já estamos totalmente desgastados com todo esse movimento de pessoas, compromissos e obrigações além do que se define dentro das salas de aula.
− Rick eu vou procurar ela e depois subimos direto pra sala. Nos vemos lá.
− Ta bom.
− Até mais.
  Quando andava assim sozinha pelos pátios da escola via como eu sentia falta da Lisa nas pequenas coisas. Como já sabia aonde encontrá-la cruzei a escola para ir ao encontro dela na redação do jornal da escola. Chegando lá quem me atendeu foi uma garota que eu não gosto muito do 3º ano. Perguntei sobre a Lisa e ela foi chamar. Consegui chegar lá quando ela já estava desoculpada.
− Mille! Vamos correndo para a aula estamos atrasada.
− É eu sei. Vim aqui só para te chamar. Vamos então.
− Uhum...
 Lisa pegou sua bolsa de caveirinhas, um monte de papel, alguns livros, e tentando equilibrar aquilo tudo e ao mesmo tempo abrir a porta deixamos a sala.
− Sabe da última?
− Qual?
− O Mateus. Terminou com a Marissa.
− É mesmo. Ele nem me disse nada.
− Por que eu acho que foi ontem à noite por telefone. Algo assim. Ele estava conversando com o Rick mais não quisemos entrar em detalhes quando ele estiver afim conversa com agente.
− É mesmo. Mas será que ele está bem?
 A Marrisa é uma das garotos que freqüenta a roda de amigos que o Mateus freqüentava antes. Mas sabíamos que esse rolo não daria tão certo. Ela é muito impulsiva, não quer nada sério e eles só ficaram muito tempo junto porque freqüentavam os mesmos ambientes e assim estavam sempre juntos e foi essa a maior afinidade entre os dois. Digamos que ela não é daquele tipo de garota que fica com um menino por muito tempo. Mesmo com um menino que faz tanto sucesso com as garotas como o Mateus.
− Deve estar. Tenho certeza que mais do que quando ele estava com ela não é Mille. Sabemos que ela não dava a atenção que o Mateus merecia.
− É.
Chegamos à sala e sentamos como de costume nas terceira e quarta cadeiras do canto direito e Mateus ficava atrás de nós e por ultimo na fila estava Rick. A sala até que estava silenciosa. Só eram escutados os burburinhos ocasionado pela conversa de cada um presente na sala. Me virei para Mateus para questionar-lhe a respeito do termino de seu namoro.
− E ai Mateus como você esta?
− Estou bem Mille. Não precisa se preocupar.
− Claro que precisa. Somos seus amigos. Se não puder contar conosco com quem vai.
É muito engraçado como os meninos não possuem a desenvoltura que as garotas tem para falar de seus problemas. Se fosse eu ou a Lisa já estaríamos em prantos, nos lamentando em como fomos legais com o ex, e que não merecíamos ter um namoro terminado dessa forma. Nós não conseguimos conter nossos sentimentos dessa forma. Fazer parecer que está tudo bem sendo que não está. E sabe que eu invejo isso nos garotos.
Mas eu espero que esteja tudo bem mesmo. Você gostava bastante dela não é.
E começo a achar que até demais.
Mas você é bonito, inteligente. Tem um monte de garotas ai querendo ficar com você. Claro que vai achar uma que mereça.
Essa é a parte difícil. Hahaha.
Pode até ser mesmo. Nós víamos o jeito que você era atencioso com a Marissa.
E mesmo assim ela continuava a dizer que eu não estava presente o bastante. Que só queria saber dos amigos.
− O que não é verdade todo mundo sabe.
− Pena que menos ela. Disse que vai encontrar outro alguém que mereça mais ter ela por perto.
 Pensei comigo: coitado do azarado.
− Talvez ficar solteiro um pouco vai até de fazer bem você vai ver. Escuta a voz da experiência.
 Nós dois rimos e no mesmo instante Lisa também.
 E tivemos a conversa interrompida pela professora de português que já entrou na sala “elogiando” a turma pela bagunça.
  É muito engraçado como as pessoas podem não valorizar quem merece. Espero que um dia pessoas como a Marissa acordem e vejam o quanto elas perderam em deixar que pessoas como o Mateus passem por suas vidas despercebidos sem que lhe sejam dada o devido valor. Espero que durante o meu percurso por esses caminhos tortuosos da vida eu não cometa esse tipo de erro.
 Cada qual nesse mundo possui o seu valor. E compete a nós sabermos como aproveitar de uma forma boa o que as pessoas tem de melhor para nos oferecer. Vamos ver o que o futuro reserva ao Mateus.
  

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Prévias!!!

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Como sempre a amizade...

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Incertezas e Constatações

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O Convite

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O novo solteiro.