Baby baby
When we first met I never felt something so strong…
When we first met I never felt something so strong…
Ontem fiquei preocupada com o Mateus e tive que ligar para ele. Atendeu-me com uma felicidade tão grande que nem parecia ter acabado um relacionamento. Ele disse que foi por causa da minha ligação. Que bom! Devemos sair hoje à noite tenho que falar com Lisa a respeito, para saber o horário e tudo direitinho...
− Alô! Lisa?
− Diga amiga!
− Olha te ligando para saber que horas que nós vamos hoje?
− Umas oito agente já pode estar lá no café...
− Ta legal então.
− Ah! Ia esquecer de te dizer. A Camila vai dar uma festa no final de semana que vem. Ela mandou o seu convite por mim ontem. Está aqui comigo. Depois eu te entrego.
− Ta bom. Você vai?
− Não sei ainda. E você?
− Só se você for. Hahahaha.
− Até lá eu resolvo. Agora vamos descer. As férias acabaram lembra? Temos que ir para a escola.
− É verdade, nem me lembra.
A festa seria uma ótima pedida para esse início de ano. Ainda estamos com aquele pique de fim de ano.
Hoje fui para a escola no carro da mãe da Lisa. E na verdade é bem melhor quando a mãe dela nos leva porque ela é totalmente descontraída e às vezes nem parece que tem lá os seus quarenta anos. A minha mãe já é bem mais contida. Com todo aquele jeito de psicóloga, tentando fazer tudo parecer extremamente correto e seus atos corresponderem a aquilo que os outros esperem que seja feito. Não sou assim. E isso aprendi com a Lisa. Sempre me ensinou a ser eu mesmo independente do que vão pensar. Adoro essa forma que ela me trata. Permitindo me descobrir e foi por isso que somos tão amigas.
A mãe da Lisa deixou agente na frente da escola. E sai com o som do carro em um volume altíssimo.
Hoje Rick e Mateus não estavam na frente da escola, só os encontramos depois que entramos no campus.
− Oi meninos!
− Oi Mille. Lisa!
− Oi Mateus. Cadê o Rick?
− Está vindo ali.
− Oi garotas! E ai todo mundo animado para a festa da Camila?
− Eu não estou muito não. Já tenho um monte de material do jornal para revisar e editar. Estou com medo de não dar tempo de entregar tudo pronto até semana que vem.
Lisa como sempre nada animada com festas.
− Ah! Vamos sim Lisa... Nos juntamos e ai a festa vai ser a melhor que você já foi. Sabe que com agente as festas sempre são ótimas.
Rick como sempre animado com festas.
− Vamos sim pessoal. A Camila é muito legal e ia ficar desapontada se não fossemos.
Concordei com Mateus.
− É mesmo. Eu sei que a Lisa vai. Por nós.
Fiz uma cara de criancinha que vai chorar, aquela que a Lisa não suporta porque é a que faz ela fazer o que eu quiser.
− Fazer o que. Vocês quase me obrigando. Ah!!! Pessoal hoje as oito no café.
− Claro marcado.
O café é o nosso segundo ponto de encontro depois da escola. É lá onde tiramos para conversar sobre tudo. Vai desde a fofoca de nós meninas, músicas, famosos até os assuntos de futebol de Mateus e Rick. E lá serve o melhor milk-shake da cidade.
− Então ta hoje às oito. Lisa vamos a cantina? Saí correndo de casa, e não deu tempo de comer nada. Se minha mãe soubesse ia me matar.
− Vamos lá. Antes que os sensores dela indiquem que você está sem nada no estomago e comece a te ligar desesperada.
Lisa como ninguém sabia como minha mãe era neurótica e super protetora. Bem diferente do meu pai. Sei que ele me adora mesmo ficando pouco tempo juntos. Só nos finais de semana por eles serem separados. Mas ele é menos preocupado e nem por isso deixa de gostar de mim. Na verdade me dou bem melhor com ele do que com minha mãe, não que ela não seja uma ótima mãe, conselheira e amiga. Sabe conversar como ninguém. Mas parece que ela entrou em uma disputa idiota com o meu pai para ver quem me dava mais atenção depois que eles se separaram. Isso acabou colocando ela meio neurótica em ficar tomando conta de mim. Ela também se culpa muito por não ter conseguido manter o nosso lar em estabilidade. Ela se achava na obrigação de ter que fazer tudo perfeito e derrepente viu seu casamento se desfazendo aos poucos. Meus pais hoje até que se dão super bem, ainda freqüentam a casa dos mesmos amigos sem nenhum receio. E sabiam que eles terem se separado foi até melhor. Em casa viviam em contenda. E isso não vazia bem a ninguém nem a eles nem a mim mesmo. E hoje eles tem um relacionamento amigável cada um em sua casa. Vejo que foi melhor para todo mundo.
Nos direcionamos para a cantina. A Lisa me entregou o convite da Festa da Camila. Um lindo cartão lilás escuro com meu nome em dourado e dentro a data local e o nome da aniversariante bem grande.
− Aqui o seu convite. Você que está tão animada para a festa sem ele não entra.
E quando dou os meus primeiros passos pela cantina vejo o Lucas. Aquele garoto novo na escola que tínhamos conhecido outro dia. Me virei para o outro lado para fingir que eu não o tinha visto. Mas minha investida foi inútil. Ele percebeu, deixou o que tinha em mãos em cima de uma mesa e começou a se mover em nossa direção. Vinha com um sorriso meio perturbador, e na verdade eu começava a perceber que tudo nele me soava perturbador. Ajeitou o cabelo de uma forma sedutora. Eu ameacei sair, mas fui contido pela Lisa que me segurou pelos ombros de com um jeito amigável e engraçado, esboçando um sorriso meio que palhaço para o menino.
− Oi... Vocês de novo.
Lisa não me deu tempo de tentar uma saída estratégica e já foi logo respondendo com entusiasmo.
− Olá. Para você ver como essa escola não é tão grande assim. Agente acaba se esbarrando uma hora ou outra. E você? Tudo bem nos primeiros dias de aula?
− Foi tudo bem. As pessoas são bem receptivas aqui.
Ele me olhou de lado como se me dissesse algo. E nesse momento ele viu o convite em minha mão.
− Vocês vão à festa?
Respondi. Que sim. Mas a Lisa com “espontaneamente” pôs se a dar detalhes a respeito.
− A festa vai ser Domingo agora na casa de uma amiga nossa a Camila, do segundo ano também. A galera toda vai.
− Legal. Eu recebi convite também.
O que!!!!!! Fiquei surpresa. É quase um milagre os calores começarem a freqüentar as festas dos veteranos logo no inicio do ano.
− Como você conseguiu ser convidado?
Fiz a pergunta em um ton de desespero o que mais tarde me deixou extremamente com vergonha.
− Eu sou novo aqui, mas sou do segundo ano assim como vocês. Eu estudo na sala da Camila.
− Ah sim. Pensávamos que você ainda fosse do primeiro ano.
− Não vim transferido da escola da minha cidade. Porque mai pai está envolvido na construção de um prédio aqui na cidade. Aí tivemos que nos mudar para cá. A menos de quinze dias que estamos na cidade.
− A que legal. Então é mesmo tudo novo para você aqui.
Eu parecia estar nem ligando para o que ele falava. E na verdade o fazia propositalmente para que evitasse entrar em outros assuntos. Mas a Lisa parecia que queria me torturar continuando a conversa. E ele continuava a me olhar de forma indagatória isso me deixava nervosa. Negava-me até mesmo em olhar para ele.
− Mas então vejo vocês na festa?
− Nem sei. Ando meio cansada.
Usei uma das minhas piores desculpas para que a Lisa a estraga-se. E além do mais incrivelmente mudou completamente de idéia quanto a ir para a festa.
− Ah fala sério Mille nós vamos sim. Te vemos lá. Lucas não é.
− Isso mesmo. Ta bom então, Mille e Lisa?
− Isso mesmo.
Felizmente ele estava indo. Mas antes de deixar o ambiente ficou na minha frente e me deu um beijo bem lento em um dos lados do rosto. Fique vermelha com aquilo, nunca esperaria que um garoto que praticamente acabei de conhecer tomasse a liberdade de ter um contato tão intimo comigo.
Ele também deu um beijo na Lisa, contudo foi bem menos tenso do que o que ele tinha dando em mim. E foi embora mais lento do que da ultima vez que tínhamos nos visto. E dessa vez na metade do caminho virou-se para trás. E deu mais um de seus sorrisos.
E agora mais do que nunca me encontrava em desespero com tudo que estava acontecendo dentro de mim. Por que estava agindo daquele jeito? Por que não conseguia agir normalmente perto de alguém que eu mal conhecia. Nunca tinha sido tão desconfortável e tão agradável ao mesmo tempo estar perto de alguém. Estava mesmo precisando por minhas idéias no lugar e conseguir naquele momento entender a mim mesma.













