I don't know but
I think I may be
Falling for you
Dropping so quickly
Maybe I should
Keep this to myself
Waiting 'till I know you better
“Fallin’
For You” Colbie Caillat
Depois do encontro
desastroso com o Lucas subimos para a nossa sala. Me lamentava em saber que
iria encontrar esse tal de Lucas na festa de aniversário da Camila. Era
estranho ter antipatia por alguém sem ao menos conhecer essa pessoa direito.
Isso nunca tinha acontecido comigo e eu sabia que agis de forma errada tratando
esse menino desse jeito., mas era bem mais forte do que eu.
Chegamos à sala
depois de subirmos aquelas rampas, rampas essas que nós deixariam em cacos até
o fim do ano. A aula era de biologia, que por sinal eu odeio e para piorar a
situação teríamos aula com o mesmo
professor do ano passado. Ele tem uma mania de dar risadinhas ao final de cada
frase que me deixa muito irritada, fica batendo o apagador constantemente
contra sua mesa produzindo o baralho que irrita a todos, menos a ele próprio,
fora o fato de que ele adora fazer perguntas
que sabe que não teremos a resposta, acho que para parecer mais
inteligente do que os alunos. Resumindo: ele não é o professor mais popular
entre os alunos.
Enquanto prestava
atenção nos comentários sem graça do professor sobre a viajem dele de férias à
Amazônia (não que eu não goste da Amazônia, pelo contrário e adoro, mas tudo
parece chato contado por ele) eu fazia meus comentários sobre como ele era chato,
senti a mão da Lisa me tocando.
Me virei.
-
Me chamou Lisa?
-
Chamei sim. Queria conversar com você a respeito de alguém.
-
Quem?
-
Eu tenho percebido que você não fica muito à vontade na presença dele e como
somos amigas sei que temos total liberdade para conversarmos a respeito de
tudo.
-
Claro que sim. E essa pessoa que você está falando é esse menino novo o Lucas.
-
Dele mesmo. Você não tem sido muito legal com ele nas vezes que nos encontramos
e você não é antipática desse jeito com as pessoas Mille. Mesmo com aquelas que
você não conhece há muito tempo.
-
Eu sei.
-
Então por que quando ele aparece você fica tão nervosa? Você percebeu que agora
pouco você quase disse para que ele não fosse a festa?
-
Eu não fiz isso. Eu só disse que não estava a fim de ir a festa.
-
Mille! Sabemos muito bem que a pessoa que mais estava a fim de ir a essa festa
era você. Por quê essa mudança repentina? Sinceramente me pareceu que você
mudou de idéia ao saber que o Lucas iria para a festa da Camila também.
A calma com que a
Lisa falava e a certeza em suas palavras e em sua voz me pareciam pior do que
se ela estivesse no meio da sala aos berros brigando comigo e me forçando a
confirmar algo que eu ainda nem tinha certeza se era verdade.
-
Mas eu não posso ter mudado de idéia?
-
Desculpa Mille, mas você ontem estava super animada para ir ao shopping,
experimentar e comprar inúmeros vestidos, escarpin, fazer o cabelo... E para falar a verdade você nem tem um motivo
plausivo para não querer ir de repente.
E o pior que Lisa
tinha razão e eu nem tinha como contestar. E esse era um dos problemas de
entrar em uma discussão com ela. Lisa é muito perceptiva quanto aos ambientes,
as pessoas e seus atos com isso ela adquire a habilidade de perceber aquilo que
nem a pessoa sabe sobre ela mesma. E era assim que eu me vai naquele momento:
tendo os meus sentimentos traduzidos por outra pessoa, mas até que já estava um
pouco acostumada com isso se tratando de Lisa. E como ela era boa nisso.
-
Mas...
Não tinha nem como
eu argumentar parei antes de tentar formular algo. Sabia no fundo que seria
inútil. E nesse momento ela disse a frase que me levou totalmente a baixo.
-
Eu acho que você está gostando dele.
Felizmente o
professor chamou a nossa atenção, o que me salvou de ter que retrucar o que
Lisa tinha acabado de me dizer sabendo que não seria bem sucedida em minha
resposta.
-
Lisa, Mille!Vocês duas não param de falar desde o momento em que eu entrei
nessa sala. Vejo que os anos mudam, mas algumas coisas permanecem. Não é
meninas. Todos abrindo as apostilas na página seis.
Depois de uma bronca
dessas fiz o que o tinha nos dito o professor permanecendo virada para frente
para evitar que Lisa retornasse ao assunto que estávamos conversando. E por
sinal ela não tentou uma retomada a nossa conversa. Tínhamos o costume de não
sermos petulantes quanto a qualquer assunto relacionado ao outro. Esperávamos o
momento em que nos sentíssemos à vontade e preparados para tocarmos no assunto
novamente e isso valia para os garotos
também e dessa forma falar de nossos problemas ficava bem mais fácil, porque
tínhamos a liberdade de nos abrirmos quando estivéssemos prontos.
E pensando no que
tinha ouvido da minha melhor amiga. Tentava provar para mim mesma que o que ela
disse não era verdade, que o fato de me sentir incomodada com a presença dele,
de seu jeito e seu sorriso me parecerem ameaçadores, e ao mesmo tempo lindos, e
tocar a sua mão me deixar nervosa não significassem nada. Mas então porque eu
tinha me sentido tão estranha daquele jeito? Simplesmente eu não estava nem
entendendo a mim mesma.
Eu já tinha conheci
outros garotos, até mais bonitos que ele, e até ficado com alguns, mas com
nenhum eu tinha me sentido daquela forma. O que não significava que eu estava
gostando desse garoto.Tentei esquecer essa história e até a mim mesma e me
concentrar na aula.
Ao final das aulas
paramos na entrada do campus da escola. A Lisa não voltou a falar do Lucas e
muito menos eu. Preferia ver se ela is esquecer o que tinha ocorrido dentro
daquela sala de aula, algo que eu tinha certeza de que não aconteceria.
E enquanto
esperávamos por nossos respectivos pais, Mateus confirmou o nosso encontro no
Café no fim de semana.
-
Então todo mundo está livre para sair amanhã.
-
Estamos sim.
Eu confirmei. Da
mesma forma que Rick e Lisa.
-
Mille,sua mãe vem hoje buscar a gente,
ou você quer que eu ligue para a minha?
-
Não Lisa a minha mãe vem. Não precisa se preocupar vem com a gente.
-
Está bem.
-
Vou ligar para ela vir nos buscar.
Enquanto eu estava
ligando para minha mãe o pai do Mateus chegou. Simultaneamente falava no
telefone e me despedia dele e do Rick.
-
Mãe?... Tchau Rick até amanhã. Pode deixar Mateus que estaremos lá amanhã.
-
Ta bom então.
Continuei a falar com a minha mãe.
-
Mãe vem buscar eu e a Lisa. Estamos em frente à escola te esperando.
-
Ta bom filha. Daqui a uns dez minutinhos eu chego aí.
-
Beijo mãe.
Eu e a Lisa ficamos
sentadas em um dos banquinhos na frente da escola enquanto a minha mãe não
chegava. Para passar o tempo falávamos a respeito dos meninos e meninas que
entravam e saiam da escola, comentávamos de seus sapatos aos cabelos,
elogiando-os ou condenando-os.
E depois de algum
tempo ela chegou. Encostou-se à calçada de forma meio desastrada- ela
é melhor lidando com pessoas complexadas do que com volante e rodas.
-
Oi Lisa! Oi meu amor.
-
Oi tia.
-
Oi mãe.
-
Como foi a aula hoje filha?
-
Bem mãe.
-
E você Lisa tudo bem?
-
Uhum. Tudo.
-
Não vejo a sua mãe há alguns dias, como ela está?
-
Bem também, só um pouco ocupada ultimamente.
-
Sei bem como é. Mas vamos então, porque eu ainda preciso ir para o consultório.
Entramos no carro.
Minha mãe fez sinal para que colocássemos o cinto de segurança. Como eu entrei
no banco de trás Lisa acomodou-se no banco da frente, ela sabia que eu queria
ficar um pouco só.
E enquanto o carro
vagava pelas vias da cidade eu me mantinha em silencio deixando que as sirenes,
as buzinas e os passos na rua falassem por mim e os prédio grandes e cinzas
refletissem o que eu estava pensando. Durante esse período a minha mãe
conversava com a Lisa sobre o nosso futuro, faculdade, namorados... Tudo que
nós não queríamos falar agora. Às vezes ela direcionava o assunto a mim, mas eu
só respondia com palavras monossilábicas para evitar que ela continuasse o assunto
comigo.
E enfim chegamos ao
prédio onde morávamos. Eu desci junto com Lisa enquanto isso minha mãe foi
estacionar o carro na garagem do prédio. Pegamos o elevador e quando a porta se
abriu no meu andar e eu estava para sair a Lisa me deu um forte abraço.
-
Depois me liga amiga.
-
Pode deixar. Depois a gente conversa.
Sai do elevador e
no instante em que a porta se fechava Lisa deu um tchau com a mão e um sorriso
lindo, o que de uma forma maravilhosa me obrigou a retribuir.
Chegando em casa a
primeira coisa que fiz foi jogar minha mochila no sofá e subir as escadas
correndo indo em direção ao meu quarto. Tranquei a porta e coloquei a minha
playlist de músicas tristes para tocar.
Precisa ficar
sozinha e refletir um pouco sobre o que minha amiga tinha me dito. E como ela
mesma tinha me ensinado:nada como quatro paredes e uma boa música para que tudo
fique em seu lugar.
E aquele era mesmo
o melhor ambiente para que eu me encontrasse. Eu sentia o meu quarto inebriado
pelos meus pensamentos, cada dúvida e certeza em um puro relance de indecisão e
desespero quanto ao que se passava dentro de minha cabeça.
Enfiei meu rosto em
uma das minhas almofadas e comecei a retomar em pensamento os encontros com o
Lucas, como em um filme.
E agora eu
conseguia decifrar cada reação minha, cada fuga de olhares, o jeito como eu
segurava de forma mais apreensiva o meu material escolar quando ele estava por
perto, como movia os meu pés contra o chão de uma maneira nervosa. Reações
essas que eu só fui me dar conta agora.
Conseguia agora decifrar aquilo que estava
dentro de mim e eu não conseguia enxergar. Tomara noção do que significava
aquele incomodo e nervoso quando estava na sua presença, o quanto sua simpatia
era notável e ao mesmo tempo me parecia provocativa.
Levantei a cabeça e
olhei pela janela, via algumas nuvens pesadas que encobriam o Sol daquele fim
de manhã, e finalmente contatava que eu estava mesmo gostando daquele garoto.





