When all you wanted
Was to be wanted
Wish you could go back
And tell yourself what you know now
“Fifteen” Taylor Swift
Acordei sem a menor vontade de ir à escola. Depois de ter refletido muito. É incrível como na vida nós somos totalmente controlados por sentimentos desconhecidos e que sempre nos pegam de surpresa. Nem sempre conseguimos controlar a nós mesmos e isso me deixa um pouco assustada. Queria que tudo fosse como em uma história que você mesmo escreve, você concebe aos personagens características, constrói ambientes e diálogos e no final você decide como tudo vai terminar. Mas infelizmente o livro da vida não é totalmente escrito por nós, existem inúmeros outros escritores que podem fazer com que esse livro fique mais alegre, dramático ou que o torne em uma história de terror.
E sinceramente eu não estava preparada para o que viesse ocorrer nessa história da minha vida. Antes não tinha nem certeza do que se passava dentro de mim mesma e agora o que me martirizava era saber o que se passava dentro de outra pessoa, será que meus sentimentos eram recíprocos?
Precisava urgentemente conversar com Lisa. Sei que ela é minha melhor amiga, mas ainda não tinha coragem de dizê-la que eu estava sentindo algo pelo Lucas.
Estava na hora de me levantar e ir para a escola. Levantei-me meio tonta, coloquei o rádio para tocar e fui tomar meu banho.
Não iria com a Lisa para a escola, tinha ligado para ela mais cedo, mas ela não me atendeu. Não devia estar em casa, porque fui ao andar dela e ninguém me atendeu. Mas concerteza nos encontraríamos na escola.
Cheguei atrasada à escola e por isso quando entrei no campus já não tinha quase ninguém no pátio, subi direto para a minha sala. Meu lugar estava guardado. E Lisa não estava no lugar dela de costume e nem em outro qualquer na sala.
- Oi pessoal!
- Oi Mille.Chegando atrasada que feio.
- Larga de ser bobo Mateus, você é o último que pode falar. Não é Rick?
- Prefiro ficar neutro nessa história de faltar aula.
Rimos em conjunto por que sabíamos que daqui há alguns meses o Mateus iria relaxar quanto à frequência .
- Mas meninos cadê a Lisa?
- Olha parece que ia ter uma reunião lá com os editores do jornal, aí ela nem deve vir à aula hoje.
- Mas você chegou a falar com ela Rick?
- Ela passou por mim correndo ai só deu tempo de me falar isso.
- Ta legal então. Ela deve nos encontrar lá no Café.
- Isso.
E felizmente as aulas acabaram, agora tínhamos à tarde de sexta só para nós. E nada como um milkshake para nos preparar para o final de semana, que promete por sinal.
E curiosamente a Lisa não apareceu em nenhuma das poucas aulas daquela sexta-feira e isso me deixou preocupada, uma vez que não é do seu perfil faltar às aulas.
- Meninos que estranho a Lisa não ter aparecido hoje. Vocês não acham?
- É mesmo. A não ser quando o trabalho dela no jornal está envolvido.
Tive que concordar com o Rick.
Como a Lisa tinha dito que iria ao Café não procuramos por ela e fomos direto para lá. E como era perto da escola íamos a pé. Pelo caminho conversávamos, fazíamos brincadeiras um com os outros e tentávamos desviar da tentativa do Rick de colocar o pé na nossa frente para que caíssemos (a Lisa odeia essa brincadeira, se ela estivesse conosco estaria lhe dando broncas por isso).
Ao chegarmos ao Café sentamos à mesa de costume: uma que fica do lado de fora do Café abaixo do letreiro de neon que piscava incessantemente as palavras Moon´s Coffe. A mesa nos acomodava e possibilitava ter a visão completa do estabelecimento, assim como dos carros e transeuntes na rua. Tive de inicio a preocupação de colocar minha bolsa em um dos acentos para reservá-lo à Lisa.
Acho que o Moon´s Coffe é um lugar que personifica nossa amizade cada parede daquele lugar me trazia ótimas recordações, aquele azul escuro das paredes me levava a tempos remotos da minha infância, cada cadeira era como uma expectadora de nossas brincadeiras, cada mesa guardava nossos gestos e gargalhadas, era ali que falávamos das coisas que gostávamos, ouvíamos nossas músicas favoritas e fortalecíamos mais ainda nossa amizade.
- Oi pessoal! O que vocês vão querer hoje?
Francisco era um dos garçons do Café. Ele trabalhava em meio turno por ser estudante também, da mesma escola que a gente, era ele quem sempre nos atendia. Uma pessoa muito simpática. E a pergunta que ele nos fez é mais do que retórica.
- O de sempre Francisco.
- Ta Mille. O seu de morango, o do Rick também, Mateus chocolate e o da Lisa...Cadê a Lisa?
- A Miss simpatia Francisco? disse Rick com um sorriso maldoso Ainda está na escola, mas já vem.
- Então ta. Por via das dúvidas vou esperar para confirmar o pedido dela.
Sabíamos que isso era apenas uma desculpa para que ele voltasse à mesa, quando a Lisa estivesse, para poder falar com ela. E sabíamos também, em unanimidade, que ele era super afim dela e até ela mesma sabia.
Estávamos sentados à mesa e o Rick fazia para tacar em mim e no Mateus, consegui me esquivar de algumas, mas ele é bom de mira. Assim que a Lisa chegou ele parou com a brincadeira, eu e o Mateus tentamos fingir que não estávamos compactuando com a brincadeira do Rick. Contudo eu não consegui me segurar, peguei uma das bolinhas de papel e joguei nela, o projétil foi de encontro ao rosto dela fazendo com que fechasse um dos seus olhos. Ela fechou a cara, virou de costas – e naquele momento eu me arrependi profundamente do que tinha feito e de súbito ela se virou e me tacou uma enorme bola de papel que devia ter sido feita com um dos inúmeros que ela tinha em sua mão, todos rimos do acontecimento. A Lisa pegou a minha bolsa que estava na cadeira ao meu lado me entregou e sentou-se ainda dando gargalhadas da nossa brincadeira.
- Que calor! Onde está o Francisco?
- O seu príncipe?
Brincou Rick dando risadas.
- Ai, idiota! Já falei para você parar com esse tipo de coisa.
- Calma foi só brincadeira.
Antes que começasse a discussão interrompi.
- Que feio em amiga, matando aula.
- É verdade Mille, nem queria, mas tive problemas no jornal com a edição desse mês. Tive que ficar a manhã inteira resolvendo esses problemas.
Ás vezes Lisa quase dava a sua vida pelo jornal da nossa escola, não que ela deixasse de ter nossos momentos juntos, mas estava sempre muito preocupada com as matérias e tudo mais do jornal. E para ela quando entramos na escola e ela foi convocada para ser uma das editoras do jornal foi uma grande realização para ela. Mesmo sendo apenas um jornal de caráter escolar. Ela se sentia bem em poder fazer o que ela gosta: escrever, dentro de um ambiente bem conhecido como era a escola para ela.
Conversávamos a respeito do que faríamos no final de semana alem de irmos ao aniversário da Camila e durante o assunto o Francisco percebeu a presença da Lisa. Terminou de atender a uma das mesas ao lado e veio praticamente correndo de encontro à nossa mesa, na verdade de encontra à Lisa.
- Oi Lisa!
- Oi Francisco!
- Qual vai ser o seu pedido? Ela sabia o que ela pediria, mas não queria perder a oportunidade de conversar com ela. Algo de diferente do de sempre?
- Não, o mesmo de sempre.
Ele ficou um tempo parado na nossa frente, com certeza tentando encontrar uma forma de prolongar a conversa com ela.
- Eu não vejo a hora de ler o seu primeiro arquivo desse ano.
- Que bom! ela falou sem graça Vamos falar a respeito dos intercambista desse ano. Vai ser publicado semana que vem. Espero que você goste.
- Pode ter certeza, você escreve incrivelmente bem.
- Obrigada, Francisco.
Como ele viu que o assunto não estava fluindo por parte dela, desistiu das suas investidas para manter a conversa. Não que a Lisa fosse antipática ou tratasse os outros com desprezo, mas ela ficava muito constrangida na presença do Francisco por causa da forma que ele gostava dela.
- Ta bom então. Vou buscar o seu milkshake.
- Ah que bom. Estou morrendo de calor.
Ele saiu e pouco tempo depois olhou para trás, acho que na expectativa da Lisa ter feito o mesmo... decepcionou-se.
- A Lisa tem um fã, gente.
- Só não é o número um, porque têm eu, a Mille e o Rick que já somos.
Brincaram Rick e Mateus. Ela não se manifestou fingindo ignorá-los.
- Ele deve ir à festa da Camila.
- Ele eu não sei, mas nós vamos. Não é meninas?
Rick direcionou a pergunta na verdade à Lisa. E ela respondeu com toda a certeza.
- Vamos sim.
Esse assunto fez meus pensamentos remeterem ao Lucas. E também ao0 fato de que eu queria conversar com a Lisa sobre ele. Ao mesmo tempo que estava eufórica me sentia apreensiva.
- Lisa vamos ao banheiro?
Não havia lugar melhor para tratarmos do assunto.
- Vamos. Deixa eu pegar a minha bolsa.
Saímos e os meninos nem se deram conta, deviam estar falando a respeito de uma garota que devíamos achar sem graça.
Chegando ao banheiro feminino encontramos o movimento de sempre, tão badalado quanto o shopping.Tirei da minha bolsa o batom e o gloss, e me coloquei em frente ao espelho. Quando o movimento diminuiu criei coragem para conversar com a Lisa, afinal eu não queria que minha vida virasse mais uma daquelas fofocas de banheiro.
- Eu pensei muito naquilo que você me disse...
- E...
- E... Devido ás circunstâncias dos pequenos encontros, eu percebi que esse Lucas mexe mesmo comigo.
- Me conte uma novidade disse ela com um ar de desdém.
- Eu sei que você possui esse poder incrível de me entender, mas você deve saber que nem eu mesma consigo me entender às vezes.
- Eu sei...
Ela colocou sua mão sobre a minha, eu tinha os olhos lacrimejantes, porém um sorriso em minha face.Ajeitei uma mecha de cabelo que estava sobre o meu rosto.
- Mas e agora o que eu faço?
- Aí, Mille, resta saber se ele vai corresponde aos seus sentimentos. Se sim, aproveite o momento, ele é lindo e parece muito legal. Se não, nos resta ver se ele algum dia ele vai perceber a menina especial que você é, e se ele merece mesmo o que você está sentindo por ele.
- Que aflição amiga.
- Calma Mille. O primeiro passo você já deu, que foi perceber que você está interessada por ele, e na verdade eu nem entendi porque tanta demora e drama para você perceber isso.
- E nem eu mesma sei. Mas nossa aproximação não foi como a com outros garotos, ele tem alguma coisa especial. Sei lá, o jeito que ele me olha, seu sorriso...
- E que sorriso hein... rimos as duas.
- Mas agora eu sei que estou gostando dele, ainda não sei o quanto e nem se ele me notou. No entanto já sei dos meus sentimentos por ele.
- É claro que notou. Foi super simpático com você nas vezes que nos encontramos e talvez você estivesse sendo imbecil o bastante para não perceber.
- Acho que foi isso.¬ri por algum tempo¬ Foi meio difícil para que eu aceitasse que estou gostando dele, mas esse sentimento é muito forte,e como é.
-É incrível mesmo amiga, como nos tornamos refém de uma coisa tão abstrata e incompreensível como o sentimento.
- Agora mais do que nunca sei como é isso.
- E agora temos que saber aonde ele vai te levar, se vale a pena se render, lutar ou até mesmo desistir. A vida nos dá muitas alternativas, nunca as respostas, mas meios de chegar até elas e isso vendo, ouvindo e sentindo, não com os sentidos em si... com o coração.
E as palavras da Lisa eram tudo que eu precisava nesse momento. Ela consegue me aconchegar e me mostrar os caminhos. Consegue me dar limites e me ensinar a expandir meus horizontes. Me leva a refletir e dessa forma encontrar respostas dentro de mim mesma.
Sorrimos uma para a outra por alguns instantes.
- Sabia Lisa, que você é uma das pessoas mais importantes que eu tenho na minha vida?
- Que nada. Você quem é especial na minha vida.
- Ninguém me compreende tão bem como você.
- Ninguém me ouve tão bem como você.
E era assim que caminhávamos: rumo ao desconhecido, porém em conjunto, o que se mostrava de grande importância.
Eu não sabia se o Lucas se mostraria a mim com os mesmos sentimentos que eu, contudo eu tinha certeza de que Lisa estaria ao me lado para me ouvir, aconselhar e me auxiliar por esse percurso.
E assim vejo o quão importante algumas pessoas se mostram em sua vida. E quando você não sabe mais para onde ir elas te dão a mão, te seguram e te levantam.Ao me entender a Lisa mostra a forma como o ser humano pode te surpreender mostrando tanta compreensão em uma só pessoa.
E em eventos futuros talvez esqueçamos como necessitamos dessas pessoas mais que especiais em nossas vidas, e eles de qualquer forma estarão lá.
terça-feira, 9 de março de 2010
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Como sempre a amizade... |
When all you wanted
Was to be wanted
Wish you could go back
And tell yourself what you know now
“Fifteen” Taylor Swift
Acordei sem a menor vontade de ir à escola. Depois de ter refletido muito. É incrível como na vida nós somos totalmente controlados por sentimentos desconhecidos e que sempre nos pegam de surpresa. Nem sempre conseguimos controlar a nós mesmos e isso me deixa um pouco assustada. Queria que tudo fosse como em uma história que você mesmo escreve, você concebe aos personagens características, constrói ambientes e diálogos e no final você decide como tudo vai terminar. Mas infelizmente o livro da vida não é totalmente escrito por nós, existem inúmeros outros escritores que podem fazer com que esse livro fique mais alegre, dramático ou que o torne em uma história de terror.
E sinceramente eu não estava preparada para o que viesse ocorrer nessa história da minha vida. Antes não tinha nem certeza do que se passava dentro de mim mesma e agora o que me martirizava era saber o que se passava dentro de outra pessoa, será que meus sentimentos eram recíprocos?
Precisava urgentemente conversar com Lisa. Sei que ela é minha melhor amiga, mas ainda não tinha coragem de dizê-la que eu estava sentindo algo pelo Lucas.
Estava na hora de me levantar e ir para a escola. Levantei-me meio tonta, coloquei o rádio para tocar e fui tomar meu banho.
Não iria com a Lisa para a escola, tinha ligado para ela mais cedo, mas ela não me atendeu. Não devia estar em casa, porque fui ao andar dela e ninguém me atendeu. Mas concerteza nos encontraríamos na escola.
Cheguei atrasada à escola e por isso quando entrei no campus já não tinha quase ninguém no pátio, subi direto para a minha sala. Meu lugar estava guardado. E Lisa não estava no lugar dela de costume e nem em outro qualquer na sala.
- Oi pessoal!
- Oi Mille.Chegando atrasada que feio.
- Larga de ser bobo Mateus, você é o último que pode falar. Não é Rick?
- Prefiro ficar neutro nessa história de faltar aula.
Rimos em conjunto por que sabíamos que daqui há alguns meses o Mateus iria relaxar quanto à frequência .
- Mas meninos cadê a Lisa?
- Olha parece que ia ter uma reunião lá com os editores do jornal, aí ela nem deve vir à aula hoje.
- Mas você chegou a falar com ela Rick?
- Ela passou por mim correndo ai só deu tempo de me falar isso.
- Ta legal então. Ela deve nos encontrar lá no Café.
- Isso.
E felizmente as aulas acabaram, agora tínhamos à tarde de sexta só para nós. E nada como um milkshake para nos preparar para o final de semana, que promete por sinal.
E curiosamente a Lisa não apareceu em nenhuma das poucas aulas daquela sexta-feira e isso me deixou preocupada, uma vez que não é do seu perfil faltar às aulas.
- Meninos que estranho a Lisa não ter aparecido hoje. Vocês não acham?
- É mesmo. A não ser quando o trabalho dela no jornal está envolvido.
Tive que concordar com o Rick.
Como a Lisa tinha dito que iria ao Café não procuramos por ela e fomos direto para lá. E como era perto da escola íamos a pé. Pelo caminho conversávamos, fazíamos brincadeiras um com os outros e tentávamos desviar da tentativa do Rick de colocar o pé na nossa frente para que caíssemos (a Lisa odeia essa brincadeira, se ela estivesse conosco estaria lhe dando broncas por isso).
Ao chegarmos ao Café sentamos à mesa de costume: uma que fica do lado de fora do Café abaixo do letreiro de neon que piscava incessantemente as palavras Moon´s Coffe. A mesa nos acomodava e possibilitava ter a visão completa do estabelecimento, assim como dos carros e transeuntes na rua. Tive de inicio a preocupação de colocar minha bolsa em um dos acentos para reservá-lo à Lisa.
Acho que o Moon´s Coffe é um lugar que personifica nossa amizade cada parede daquele lugar me trazia ótimas recordações, aquele azul escuro das paredes me levava a tempos remotos da minha infância, cada cadeira era como uma expectadora de nossas brincadeiras, cada mesa guardava nossos gestos e gargalhadas, era ali que falávamos das coisas que gostávamos, ouvíamos nossas músicas favoritas e fortalecíamos mais ainda nossa amizade.
- Oi pessoal! O que vocês vão querer hoje?
Francisco era um dos garçons do Café. Ele trabalhava em meio turno por ser estudante também, da mesma escola que a gente, era ele quem sempre nos atendia. Uma pessoa muito simpática. E a pergunta que ele nos fez é mais do que retórica.
- O de sempre Francisco.
- Ta Mille. O seu de morango, o do Rick também, Mateus chocolate e o da Lisa...Cadê a Lisa?
- A Miss simpatia Francisco? disse Rick com um sorriso maldoso Ainda está na escola, mas já vem.
- Então ta. Por via das dúvidas vou esperar para confirmar o pedido dela.
Sabíamos que isso era apenas uma desculpa para que ele voltasse à mesa, quando a Lisa estivesse, para poder falar com ela. E sabíamos também, em unanimidade, que ele era super afim dela e até ela mesma sabia.
Estávamos sentados à mesa e o Rick fazia para tacar em mim e no Mateus, consegui me esquivar de algumas, mas ele é bom de mira. Assim que a Lisa chegou ele parou com a brincadeira, eu e o Mateus tentamos fingir que não estávamos compactuando com a brincadeira do Rick. Contudo eu não consegui me segurar, peguei uma das bolinhas de papel e joguei nela, o projétil foi de encontro ao rosto dela fazendo com que fechasse um dos seus olhos. Ela fechou a cara, virou de costas – e naquele momento eu me arrependi profundamente do que tinha feito e de súbito ela se virou e me tacou uma enorme bola de papel que devia ter sido feita com um dos inúmeros que ela tinha em sua mão, todos rimos do acontecimento. A Lisa pegou a minha bolsa que estava na cadeira ao meu lado me entregou e sentou-se ainda dando gargalhadas da nossa brincadeira.
- Que calor! Onde está o Francisco?
- O seu príncipe?
Brincou Rick dando risadas.
- Ai, idiota! Já falei para você parar com esse tipo de coisa.
- Calma foi só brincadeira.
Antes que começasse a discussão interrompi.
- Que feio em amiga, matando aula.
- É verdade Mille, nem queria, mas tive problemas no jornal com a edição desse mês. Tive que ficar a manhã inteira resolvendo esses problemas.
Ás vezes Lisa quase dava a sua vida pelo jornal da nossa escola, não que ela deixasse de ter nossos momentos juntos, mas estava sempre muito preocupada com as matérias e tudo mais do jornal. E para ela quando entramos na escola e ela foi convocada para ser uma das editoras do jornal foi uma grande realização para ela. Mesmo sendo apenas um jornal de caráter escolar. Ela se sentia bem em poder fazer o que ela gosta: escrever, dentro de um ambiente bem conhecido como era a escola para ela.
Conversávamos a respeito do que faríamos no final de semana alem de irmos ao aniversário da Camila e durante o assunto o Francisco percebeu a presença da Lisa. Terminou de atender a uma das mesas ao lado e veio praticamente correndo de encontro à nossa mesa, na verdade de encontra à Lisa.
- Oi Lisa!
- Oi Francisco!
- Qual vai ser o seu pedido? Ela sabia o que ela pediria, mas não queria perder a oportunidade de conversar com ela. Algo de diferente do de sempre?
- Não, o mesmo de sempre.
Ele ficou um tempo parado na nossa frente, com certeza tentando encontrar uma forma de prolongar a conversa com ela.
- Eu não vejo a hora de ler o seu primeiro arquivo desse ano.
- Que bom! ela falou sem graça Vamos falar a respeito dos intercambista desse ano. Vai ser publicado semana que vem. Espero que você goste.
- Pode ter certeza, você escreve incrivelmente bem.
- Obrigada, Francisco.
Como ele viu que o assunto não estava fluindo por parte dela, desistiu das suas investidas para manter a conversa. Não que a Lisa fosse antipática ou tratasse os outros com desprezo, mas ela ficava muito constrangida na presença do Francisco por causa da forma que ele gostava dela.
- Ta bom então. Vou buscar o seu milkshake.
- Ah que bom. Estou morrendo de calor.
Ele saiu e pouco tempo depois olhou para trás, acho que na expectativa da Lisa ter feito o mesmo... decepcionou-se.
- A Lisa tem um fã, gente.
- Só não é o número um, porque têm eu, a Mille e o Rick que já somos.
Brincaram Rick e Mateus. Ela não se manifestou fingindo ignorá-los.
- Ele deve ir à festa da Camila.
- Ele eu não sei, mas nós vamos. Não é meninas?
Rick direcionou a pergunta na verdade à Lisa. E ela respondeu com toda a certeza.
- Vamos sim.
Esse assunto fez meus pensamentos remeterem ao Lucas. E também ao0 fato de que eu queria conversar com a Lisa sobre ele. Ao mesmo tempo que estava eufórica me sentia apreensiva.
- Lisa vamos ao banheiro?
Não havia lugar melhor para tratarmos do assunto.
- Vamos. Deixa eu pegar a minha bolsa.
Saímos e os meninos nem se deram conta, deviam estar falando a respeito de uma garota que devíamos achar sem graça.
Chegando ao banheiro feminino encontramos o movimento de sempre, tão badalado quanto o shopping.Tirei da minha bolsa o batom e o gloss, e me coloquei em frente ao espelho. Quando o movimento diminuiu criei coragem para conversar com a Lisa, afinal eu não queria que minha vida virasse mais uma daquelas fofocas de banheiro.
- Eu pensei muito naquilo que você me disse...
- E...
- E... Devido ás circunstâncias dos pequenos encontros, eu percebi que esse Lucas mexe mesmo comigo.
- Me conte uma novidade disse ela com um ar de desdém.
- Eu sei que você possui esse poder incrível de me entender, mas você deve saber que nem eu mesma consigo me entender às vezes.
- Eu sei...
Ela colocou sua mão sobre a minha, eu tinha os olhos lacrimejantes, porém um sorriso em minha face.Ajeitei uma mecha de cabelo que estava sobre o meu rosto.
- Mas e agora o que eu faço?
- Aí, Mille, resta saber se ele vai corresponde aos seus sentimentos. Se sim, aproveite o momento, ele é lindo e parece muito legal. Se não, nos resta ver se ele algum dia ele vai perceber a menina especial que você é, e se ele merece mesmo o que você está sentindo por ele.
- Que aflição amiga.
- Calma Mille. O primeiro passo você já deu, que foi perceber que você está interessada por ele, e na verdade eu nem entendi porque tanta demora e drama para você perceber isso.
- E nem eu mesma sei. Mas nossa aproximação não foi como a com outros garotos, ele tem alguma coisa especial. Sei lá, o jeito que ele me olha, seu sorriso...
- E que sorriso hein... rimos as duas.
- Mas agora eu sei que estou gostando dele, ainda não sei o quanto e nem se ele me notou. No entanto já sei dos meus sentimentos por ele.
- É claro que notou. Foi super simpático com você nas vezes que nos encontramos e talvez você estivesse sendo imbecil o bastante para não perceber.
- Acho que foi isso.¬ri por algum tempo¬ Foi meio difícil para que eu aceitasse que estou gostando dele, mas esse sentimento é muito forte,e como é.
-É incrível mesmo amiga, como nos tornamos refém de uma coisa tão abstrata e incompreensível como o sentimento.
- Agora mais do que nunca sei como é isso.
- E agora temos que saber aonde ele vai te levar, se vale a pena se render, lutar ou até mesmo desistir. A vida nos dá muitas alternativas, nunca as respostas, mas meios de chegar até elas e isso vendo, ouvindo e sentindo, não com os sentidos em si... com o coração.
E as palavras da Lisa eram tudo que eu precisava nesse momento. Ela consegue me aconchegar e me mostrar os caminhos. Consegue me dar limites e me ensinar a expandir meus horizontes. Me leva a refletir e dessa forma encontrar respostas dentro de mim mesma.
Sorrimos uma para a outra por alguns instantes.
- Sabia Lisa, que você é uma das pessoas mais importantes que eu tenho na minha vida?
- Que nada. Você quem é especial na minha vida.
- Ninguém me compreende tão bem como você.
- Ninguém me ouve tão bem como você.
E era assim que caminhávamos: rumo ao desconhecido, porém em conjunto, o que se mostrava de grande importância.
Eu não sabia se o Lucas se mostraria a mim com os mesmos sentimentos que eu, contudo eu tinha certeza de que Lisa estaria ao me lado para me ouvir, aconselhar e me auxiliar por esse percurso.
E assim vejo o quão importante algumas pessoas se mostram em sua vida. E quando você não sabe mais para onde ir elas te dão a mão, te seguram e te levantam.Ao me entender a Lisa mostra a forma como o ser humano pode te surpreender mostrando tanta compreensão em uma só pessoa.
E em eventos futuros talvez esqueçamos como necessitamos dessas pessoas mais que especiais em nossas vidas, e eles de qualquer forma estarão lá.
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